domingo, 30 de outubro de 2011

Artigo que escrevi e saiu no Jornal Vale dos Sinos de 28/10/2011, sobre a morte de um peculiar amigo...


sábado, 15 de outubro de 2011

A um primo distante


Paulo Sant´ana escreveu sobre a morte do José Vasconcellos na ZH de hoje (15/10/2011). Não o conheci, mas sempre tive um carinho especial ao vê-lo na TV por ele ser primo do meu pai (meu primo-segundo, portanto). Era, certamente, um craque do humor, sempre foi hilário demais assisti-lo. Que vá em paz!

Eis as palavras deste brilhante colunista de ZH:

"Morreu esta semana o cômico José Vasconcellos. Quero render daqui, frutos da minha saudade, as minhas homenagens póstumas a esse estupendo artista.

Ele pode não ter sido o primeiro, mas foi o mais marcante humorista stand up de nosso país. Foi o primeiro que enfrentou sozinho do palco a plateia inteira.

E as pessoas da plateia choravam de tanto rir. Nunca vi em toda a minha vida um cômico que tanto fizesse rir, mas não eram sorrisos que ele arrancava do público, eram gargalhadas sonoras, extensas, hedônicas, frenéticas, um êxtase de sucesso, algo jamais visto no cenário do teatro no Brasil.

Morreu, assim, o maior cômico brasileiro, dono de um humor fino que se amparava em seu vasto vocabulário gestual e numa voz que sintetizava toda a malícia do brasileiro.

Não há mais o que dizer, José Vasconcellos foi o maior entre tantos e todos."

domingo, 11 de setembro de 2011

Chega de enganos: pare de reclamar da corrupção!




Sim, o título é forte e é o que eu penso mesmo. Mas não me xingues antes de ler, peço. Depois, à vontade.

Corrupção é um termo genérico, que descreve, em síntese, o uso de meios ilegais para obter algo. Ilegal, por óbvio, é o que é contra a lei (civil, trabalhista, penal etc). Em se tratando de agentes públicos de toda a sorte, o que é imoral torna-se ilegal também, por força do princípio constitucional da moralidade administrativa. Só para constar, não pretendo discutir conceitos.

Meu ponto é que somos (quase) todos corruptos em se tratando de defender nossos interesses pessoais. Porque, efetivamente, poucos de nós (humanos, brasileiros, primordialmente) deixamos de cometer ilegalidades quando as oportunidades se nos apresentam, em nosso próprio favor. Discorda? Você não o faz? Não acelera um pouco no sinal amarelado para ganhar tempo? Não ultrapassa pela direita ou pelo acostamento? Não fura a fila ou entra numa contra-mão? Não dá aquela ajeitadinha no imposto de renda? Não esconde produtos para camuflar a cota na fronteira? Não come uma uvinha no supermercado antes de pesar? Não usa o telefone ou impressora da empresa para fins particulares? Não dirige depois de uma cervejinha? Ah, bom...

Então, aparece a primeira justificativa: uma coisa é uma coisa, outra... coisas de pequena monta... o que é uma balinha para uma rede mundial de supermercado, afinal?... Hum... e R$100.000,00 no orçamento da União, de centenas de bilhões? Quase nada, né? Sei...

Desnudemo-nos: o jeitinho da nossa tão cantada cultura, já denunciado por Sérgio Buarque de Hollanda, Raymundo Faoro e Darcy Ribeiro, entre outros, faz parte de nós. Há belas e louváveis exceções, conheço pessoalmente uma mão cheia talvez, mas, em regra, somos todos pequenos, médios e grandes corruptos. E a maioria dos pequenos não cresce por falta de cargos, digo, de espaço. Nosso lema é "o importante é levar vantagem em tudo", a malandragem, esperteza, o ganho fácil. Por isso meninos crescem querendo ser Ronaldos, meninas querem ser esposas dos Ronaldos ou de cantores famosos, meninos e meninas grandes querem ganhar na Mega-Sena e mandar o chefe para aquele lugar ou ganhar o prêmio do BBB.

Se a sua maior crítica política é dizer que "político é tudo igual" (sic), cuidado: podes estar afirmando que eles são iguais a você. E digo: realmente o são. Por quê? Porque em meio a 513 deputados federais, não se tira uma dezena que não gaste o que pode em verbas de gabinete, passagens etc, ou que vote contra aumentos incríveis para os próprios salários, para falar o mínimo. O que você faria se estivesse lá? E se uma empreiteira lhe oferecesse mimos, como jatinhos, jantares, convites, presentes? Seja sincero com você mesmo: você não entraria no jogo, se pudesse?

Portanto, pare de reclamar da corrupção! Não se una a eventos no Facebook, não vá a marchas contra políticos, não choramingue! Os que você elegeu (se é que você se lembra deles) são parecidos com você: acham que "não vai dar nada", acham que o que estão fazendo não prejudica outras pessoas, acham que sua conduta se justifica, de uma forma ou outra. Proteste se, após um exame apurado e imparcial, você perceber que está fazendo a sua parte, de verdade. Caso contrário, cale-se. É menos "feio".

Onde está a raiz de tudo isso? Entre outros, no querer sempre mais. Não basta uma casa confortável, emprego estável, dois carros na garagem e contas equilibradas: é preciso ter dinheiro pra esbanjar, vinhos no valor de um automóvel, jantar no valor de um salário mínimo, roupas importadas, carro no valor de um imóvel. Para você, não basta ganhar na mega-sena com prêmio de um milhão, tem que ser na acumulada! Para um político, não basta o salário limitado pelo teto do STF, tem que ter um extra pra pagar as contas! Vocês são tão diferentes assim?

Agir dentro dos limites da moral implica uma luta diária contra os impulsos externos que a sociedade de consumo e da fruição dos prazeres ocidentais nos impõe, bem como do duelo entre o respeito ao outro e a satisfação das próprias necessidades. Muitos nem se dão conta da existências desse combate. Muitos não estão dispostos a travá-lo. Alguns lutam - mesmo que as pequenas vitórias não esbanjem glória.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Voltando...

Sim, voltei.

Como sou rebelde - fato que não nego mais -, escrevo quando a vontade vence a preguiça. Confesso, já há algum tempo tenho preferido o Facebook e seu jeito dinâmico e sucinto de compartilhar pensamentos com a web.

Dias atrás, inclusive, fiz uma leve comparação entre mulheres e meninas, respondendo a uma provocação que aparecia nos murais de várias amigas - como são fáceis, vastas e rasas as amizades virtuais! - de lá sobre homens e meninos... 50 pessoas "curtiram" e mais de 30 comentaram. Um sucesso! Senti-me o próprio Carpinejar (tá bom, não o Carpinejar, não escrevo tão bem mesmo e nem sou tão feio´- o Universo é justo). Dias depois, o texto ainda rolava por lá, compartilhado por amigos que o viram em murais de pessoas de outras cidades - viva o dinamismo.

Contudo, o ponto não é enaltecer-me. É pensar sobre os interesses das pessoas - principalmente das mulheres, já que os interesses do "homem médio" são em geral singelos: por si sós, não merecem comentários escritos, esgota-se o tema em conversas de bar regadas a risadas e bons goles de cerveja.

No Facebook e Twitter, já postei sobre segurança pública, liberdade de expressão, desigualdades, espiritualismo, ética, política, direito, futebol e tantos outros temas interessantes (ou nem tanto), porém, nada repercutiu - e repercute - como temas ligados a relacionamentos amorosos e comportamentos de mulheres e homens quanto a compromissos, sentimentos, encantamentos. Por quê? Sem medo de ser piegas, o derradeiro valor que o ser humano preza é o amor.

Alguém pode discordar disso? E quanto aos temas de livros, filmes, canções, conversas de família e também de vizinhas fofoqueiras, comentários de corredor ao pé do ouvido nos mais diversos ambientes? E o resto?...

Eu mesmo, que me interesso por uma gama de assuntos tão variados que me exigiriam, se tivesse a pretensão de aprofundá-los, dias de 38 horas, volta e meia volto a pensar a respeito do profundo universo dos relacionamentos amorosos. Há alguns outros dias, escrevi:


Há um sentimento estranho e poderoso chamado amor, que permeia os olhares de todas as pessoas que encontro, seja onde for. Por mais egoístas e desvairadas que sejam as atitudes que vejo, leio, percebo, intuo, não há um fundo de olhar que não contenha sua busca, ainda que com ações equivocadas, pautadas pelo desamor e outros sentimentos perversos. É a força desse sentimento que me dá esperança de seguir acreditando que a Terra pode ancorar o céu e ser um lugar melhor.


Tudo bem, não vou bater só nessa tecla - até porque se trata de um poço sem fundo. Uma colega de trabalho disse-me que isso é efeito do chocolate. Não acredito. A entrada da primavera, talvez? Não. Apenas a percepção de que o combustível secreto que move o mundo nem sempre é o dinheiro. Por muitas vezes, é o meandro das relações - das mais vãs até as mais nobres estirpes - amorosas. Em breve, mais observações.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Dicas do dia

Se todos seguissem padrões aritméticos para escolher seus amigos, amores, ídolos, etc, certamente uma universidade da Inglaterra- onde além de se falar da família real, adora-se produzir todos os tipos de pesquisas - abasteceria o mundo com tabelas e padrões de escolha a serem idealmente seguidos. Porém - por enquanto! -, ainda não criaram uma classificação geral de pessoas. Fico imaginando qual seria minha posição. Pensando nisso, fiz breves avaliações de mim mesmo em alguns aspectos da minha vida.

Bom amigo, não sou. Quero o melhor para meus amigos, mas não compartilho com eles o que se passa nos meus dias. Descobri, com o passar dos anos, que não adianta apenas escutar: às vezes, é preciso falar de si, colocar seus problemas e pensamento para os outros e para o Universo, a fim de que possa haver crescimento e evolução compartilhados. Mesmo amando-os, sumo, passo meses sem dar um alô; sou incapaz, por vezes, de guardar seus telefones na minha agenda, embora guarde-os a sete chaves em meu coração.

Bom filho, também não. Minha paciência com meus pais é pequena, não raro sou duro demais com meu pai octogenário e insensível com minha mãe. Amo-os profundamente, mas falho bastante - como falho!

Bom namorado, poucas vezes fui. Nunca me entreguei por inteiro, de alma, a uma relação - e olha que não foram poucas -, embora sempre tenha tentado de tudo para fazer a mulher ao meu lado feliz. Atencioso, prestativo, amigo, confidente, amante dedicado, isso elas podem dizer de mim. Mas não dirão que fui entregue, intenso, que vivi cada dia ao seu lado como se fosse o último e que as quis como se não houvesse outra no mundo, fazendo-as sentir como a mulher mais especial de todas.

Bom profissional, posso dizer que sou, apesar de às vezes me acomodar - minha profissão facilita isso, é fato. Aprendo rápido, resolvo problemas com praticidade e eficiência, não descanso enquanto as coisas não estão "nos trilhos". Mas não penso que o trabalho é o fim último da vida e o descarto como fonte de felicidade.

Bom pai, sim, eu sou. Meu filho é tudo pra mim. Movo montanhas por ele, sem deixar de ser firme e sempre pensar nas implicações de minhas atitudes para o futuro, vendo nele não só uma criança de 2 anos e 3 meses, mas um homem digno em formação. Não me dou nota 10 todos os dias, mas luto dia a dia por ela.

Muitos outros aspectos a avaliar... mas de que adianta? É bom ser bom em algo, mas e daí se eu não for? As conexões entre os seres humanos não se fazem com base em suas virtudes. Há muito mais, há elementos muito maiores do que a nossa vã percepção consegue visualizar.

Fazer então o que? Viver ao lado daqueles que nos fazem bem, o máximo de tempo possível. Porque todo o tempo dessa vida pode não ser o suficiente. É a minha "dica do dia".

O zen budismo traz algumas outras. Trecho de um excelente filme argentino: "Un Buda".





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sexta-feira, 6 de maio de 2011

O retorno de registros de pensamentos e passagens

Lendo o (novo) blog de uma conhecida, resolvi ressuscitar este espaço, então ocioso há mais de um ano.

Não que eu vá dizer coisas importantes ou acrescentar algo a algum navegante desavisado que por aqui aportar; é porque certos acontecimentos merecem ser registrados. Sua mera ocorrência clama por isso.

O que aconteceu nesse meio-tempo no meu mundo? Tanto que encheria páginas de alguns livros, tão pouco que nem me animo a resumir para não ter que encher linguiça antes de completar três frases curtas. Vou falar aos poucos. Destacando o melhor, porque de tragédias o mundo está - cada vez mais - cheio.

O que foi o melhor? 1) Meu filho, Felipe já um rapazinho de 2 anos e 3 meses de muitas descobertas e sorrisos marotos, 2) minha evolução espiritual, recheada de experiências interessantes, até então inimagináveis, bem como algumas decepções pontuais com o lado de lá, e 3) situações inusitadas e impagáveis que parecem me encontrar dia a dia para me dizer que sim, um queixo caído sempre pode ir mais fundo.

Dada a largada. Falando nisso, olhem o filme/documentário do Ayrton Senna. Muito interessante. E era isso. Ou não. Por ora.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Frase

Quanto mais eu conheço a humanidade e sua diversidade de espécies, mais eu abdico de vociferar que algo está certo ou errado, ou que deveria ser "assim, ou assado". Apenas apoderando-se da consciência de cada um, tolhendo sua liberdade, é que se consegue impor um padrão de comportamento. E isso, como se sabe por um simples olhar através da história, nunca trouxe mais benefícios do que malefícios, sempre causou progresso ou consenso ao custo de milhões e milhões de vidas.

Pensei nisso depois de ler e pensar sobre uma frase de um sujeito de nome Kenzil, da Comunidade Harmonia, de São Thomé das Letras-MG:

"Não há nada a ser feito além do que já existe. Tudo que há foi Deus quem fez, direta ou indiretamente; quem somos nós para querer consertar? Apenas precisamos saber o que nos cabe fazer para não deixar falha a nossa parte".

Tirando a divindade da frase, seu efeito é o mesmo: quem sou eu e quem é você para consertar o que o outro fez? Podemos até, por convenções, atribuir-lhe erros, dizer que era para ser diferente e até puni-lo, mas não poderemos retornar ao "status quo ante", desfazer por completo o que foi feito, pensado ou dito.

Fica, pois, uma observação simples, que para mim é verdade: fazer a nossa parte é mais importante do que observar, criticar e tergiversar sobre como os outros estão fazendo a parte deles.

Ou não é?